Saturday, March 3, 2007

a cultura da imagem


Assistimos hoje á ditadura da imagem, a uma espécie de falsa beleza, onde a padronização dos cânones de beleza nos levam a descobrir novas formas de exclusão social, como por exemplo a exclusão pela imagem. A imagem que apresentamos, a nossa imagem, que pode ser igualmente representada pelos objectos que possuimos, pelo nosso carro, pelos objectos mais pessoais, pela roupa que usamos, etc, constitui também um factor de selecção do nosso circulo de amigos, definem-se interesses e gostos pessoais através de alguns objectos. E visto isto, rapidamente nos apercebemos o rumo que o Design de hoje terá seguido. A imagem pela imagem, o show-off, o parecer mais do que aquilo que realmente representa, o justificar depois de conceber e não descobrir o que é necessário para conceber com propósito e servir uma necessidade. Na verdade a percepção que tenho do design de hoje, para além dos óbvios revivalismo e reedições de objectos, é que o design se esqueceu do seu papel humano e de molde social. O design que serve para tubo de ensaio para a sociedade, de onde as ideologias brotam sem constrangimentos e sem conflitos de interesses. No entanto o design de hoje parece impulsionar esta cultura e adoração da imagem, onde o mais vistoso é o que vinga, onde o objecto que tenha a campanha de marketing e comunicacional é aquele que é mais valorizado e o que adquire maior visibilidade perante a sociedade. Terá o design mais do que isto para dizer? A meu ver sim. O Design pode ter na sua essência esta vertente comercial, obviamente necessária para fazer funcionar e alimentar toda a economia de hoje, que cada vez mais se apoia na imagem, e esta mesma economia global vê no Design um meio para o atingir, o sucesso económico. Mas pode igualmente preocupar se com temáticas como a sustentabilidade ecológica, social, económica e de melhoria de vida das pessoas. Afinal não é disso que se trata no Design? De realmente satisfazer uma necessidade criada? E não criar uma necessidade.

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