Wednesday, March 21, 2007

descodificado

acordar do isntante em que adormeci, sentir que te tenho.
e ao te deixar sentir que nao te tive, que nao sou, que nao fui, que podia ser, que talvez nunca irei ser. que da volúpia resultou banalidade e nao uma prova do sentimento.
usado, desfigurado.... com sono, cansado, exausto. enfrento me e nao me consigo perceber.
parto na locomotiva de sonhos que me levará ao mundo em que me sinto, em que me falo, em que nao me inibo.
corta-me, trespassa-me, sinto-me esventrado... como se uma fada de sonhos de cristal com eclipses de várias luas me tivesse arrancado o coração com uma faca, de lâmina afiada com um amolador de tempos idos.
da certeza de que nesse conto a tristeza não se torna no cliché da alegria provinciana dos finais felizes.
mas não agora, não assim, não com a certeza.
isolado do convite para o banquete daqueles que dos ossos e acções sitémicas sem ordenação criativa me fazem. estou, mas não estou. concentro me no luar, nas estrelas que nada me dizem.
o fascinio pelo cosmos nada me diz.
prende-me o olhar de solidão em montras de verdade que me levam para o mundo do que eu gostaria que fosse.
estive para assitir á minha desilusão, a minha consagração como macambúzio, como fauno dos mundos de negro e silêncio, onde a falta de palavras e expressões entusiásticas de apreço não são o motivo. mas sim a prova. que do tagarelar sem nexo a mim nada me diz. que realmente a mudança do caminho traçado e com certeza de te ter. se desvanece em sorver de alcool incontrolado, sem sentido, sem desilusão, sem alegria.
queria ter ido, mas não fui. fiquei e o que se revelou para mim . enfim, nao fez crescer, não.
fez me cair em mim, odiar me por não me revelar, por não mostrar que o sentimento da traição me assola, que me soa a falso. que me dói de morte sentir me uma objecto de jogos de ciúmes, de engano para a fome, de não ser o prato principal.
do canibalismo de mim mesmo paro. adormeço. não sinto aquilo que devia sentir. não o sinto de quem devia sentir.
e o bafo ofegente de sabor ácido e cheiro fétido de embriaguez não me traz de volta, não me aproxima... que o beijo de boa noite foi descaradamente dirigido ao seu objecto de adoração.
sinto me adereço de circo. de feira de aberrações.
muito.
muito pouco.
quase nada.
e de manha com a certeza que nada.
doi-me.
penso nas luzes de que da quimica evolutiva resultaram, avalio, distancio me. sorvo uma chavena de estimulante. sento me. e espero por resposta, mas ela não vem.
e o que serei eu no final do dia?
a certeza que não aquilo que desejas, mas o que encontraste como distração.
que a espera pela resposta da morada certa e o contar dos minutos e segundos, o assumir que o relógio mal começou se revela perante mim como aquilo que nao dizes ser o que sou.
não, não, não .
porque sozinho e distante não é sinónimo, e que de metonímias de mentira nao se constrói.
que a verdade não se faz de expressões fugazes. que deixei o certo pela certeza do incerto. que não me encontro em ti, que não faço parte do teu mundo.
que o meu mundo se desmorona á minha frente
sinto.
mas a partida é para breve. a locomotiva do tempo não espera por ninguém e a porta não se encontra aberta, que o revisor do bilhete me recusa a ida. comprei a viagem mas não sei se quero ir.
uma certeza tenho apenas.
que quero.
mas não quero assim.
que quero ser o tal.
e não quero ser mais quem serve de amusement.
que sou feito assim, de convicções, de abstrações, de silêncio, de vazio, de tudo o que talvez me conforte.

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