vestido de negro, com os olhos aspirando o luar
o orvalho da madrugada repousa sobre o meu mal estar
goticulas de água fria, de brilho que extrude um espectro de cores reflectidas
neons de cores fortes
muito fortes, luz que fascina...
obturador escancarado, olhar observador, desconfiado.
egocentrismo egoista.
captação de realidades que não existem
articulações indefenidas
mágoa sem razão
arrependimento agora...
transes de sons iluminados pela penumbra de uma bola de cristal
pequena... muito pequena, de espelhos mil que nada reflectem, só cores
meus olhos em rotação, ilustração de grafite com tinta da china preta
tinta que escorre o sangue desta ferida aberta .
não cicatriza, é o medo de te perder em devaneios que te saturam
multilo os membros que me prendem os movimentos
indico aos medos uma porta de saída
gigantones! crescem quando os vejo... saltam da caixa presos por uma mola que ameaça quebrar
assumo o papel de revisor, fico á porta, espero a sua saída.
gravo te dentro do peito, tatuo o teu nome na língua para não te esquecer o sabor
amuletos que uso para os afugentar
a sala encolhe
os móveis desaparecem
escala de cinzentos, mais neons
sento me
a luz desaparece
encolho me
encosto a almofada ao peito para te sentir
ainda sinto o salgado da tristeza
os olhos não abrem, calma aparente, descanso que rasga estes medos
esventro todos os pedacinhos, queimo com uma vela que alumia o meu rosto
olho em frente
espelho maldito!
revejo esta cara..
convoco um duelo com ele, este medo que também quero ver desaparecer
procuro em mim uma razão.
um fundamento.
nuvens de fumos, fotografias em sépia, espasmos de luz
textos por explicar, memórias que me confundem, saudades que não compreendo
medo de ferir
não quero mais ferir
não quero mais nao te sentir mais próximo
não quero mais sentir o salgado
não quero mais não te ter em mim
quero a benção de latim macarrónico
quero os olhares cumplices
quero a harmonia do beijo
quero um ronronar ao acordar
quero o doce no teu olhar
quero te
coloco me em bicos de pé, quero chegar a esse puxador
quero abrir esta porta, quero deixá-los sair
ajuda me a chegar lá...
...
perdão...
1 comment:
Que tenhas sempre respostas às tuas confusões e dúvidas aparentes. E que acredites nelas quando as tens.
Dois.
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