desta vez nao estanquei.
deixei correr o sangue desta ferida aberta. tentei cozer com linha de sonhos e ilusão.
mas a ferida foi aberta ainda mais por vidros de aquário, esventrada por mil pedaços de vidros de uma lâmpada partida que teima em acender.
rasgos de mim, em mim, para mim, mas não feitos por mim. sonhei sem dor, acordei ferido.
mas a ferida não é de morte, porque a aprendizagem é um processo .
sem ser metódico.
porque da segurança de uma estante de livros de romance saltei para um abismo. sem medo. sem receio. com vontade de viver, com vontade de sentir, de arriscar. porque quis saltar.
nao voei. o chão encontrei.
tentei.
tentei.
tentei.
dói me esta ferida. mas dói me mais nao a conseguir cozer.dói me tentar levantar.procurei em mim mais linhas para cozer esta ferida.
mas não estancou. esvaí me. perdi me.
não sinto salgado.tenho a boca seca.
procuro pelas chaves. não as encontro. pensei tê-las confiado. mas foram perdidas.
não sei se volto a abrir.
misturo meu sangue com negro de tinta. nao vejo mais vermelho. em retratos intuivos procuro um porque em mim.
porque de vários caminhos se compõe o percurso. porque tomei este, acabei por me arranhar .porque esta ferida que teima em nao fechar.
porque em mim tenho um só. e de mim tenho a plenitude, a certeza de ser sincero e de respeitar .
tentei cozer esta ferida com a linha da sinceridade. mas os pontos fraquinhos com que a rematei, acabaram por rebentar. era fraca a linha.
a agulha que a cozeu, deixou me marcas que não eram da ferida. pensei.
será o mal da agulha ou da linha?
será meu que não sei cozer?
mas se outras , mais antigas, já fecharam.
levantei me do chão, a ferida continua aberta.
olha á volta.
só eu é que me feri?
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